Quando trabalhei no Banco do Brasil, entre 2010 e 2012, vivi meu pior pesadelo. Depois de ter conseguido passar no concurso conciliando meu trabalho como professora e a faculdade, estudando nas madrugadas e finais de semana, cheguei na agência e fui recepcionada pela gerente que me disse uma frase que nunca esquecerei: "agora que você já aprendeu os aspectos éticos da profissão na gerência de pessoal, agora você vai aprender os aspectos não éticos com o Fulano". Fui colocada ao lado dele e acompanhei todas as suas práticas para ludibriar clientes e praticar venda casada. Ainda assim, por alguns meses eu tentei acreditar na idoneidade da instituição. Me dediquei muito e até fazia algumas vendas. Eu aprendia rápido e recebi uma avaliação muito positiva, muito acima da média, sobre meus primeiros meses. No entanto, logo vieram cobranças para que a gente obrigasse os universitários a fazer um seguro de vida na abertura de conta corrente. Se a gente não colocasse, a gerente NÃO LIBERAVA A ABERTURA DA CONTA. Outro dia ela entregou uma lista com contas de estrangeiros e pessoas com restrição cadastral para colocar seguros SEM AUTORIZAÇÃO. Eu liguei para os clientes e não vendi nenhum aquele dia, enquanto os gerentes, com medo de perder a função, colocaram sem que as pessoas soubessem, para não sofrer represália da chefia. No Banco do Brasil havia (não sei como é hoje) um sistema de avaliação meritocrática, onde se você tivesse três avaliações semestrais negativas perdia a função. Eu era escriturária, sem função nenhuma, então de onde estava eu não poderia descer. Por isso, me recusava a fazer o que julgava errado. Além disso ela gritava, humilhava, fazia horrores. Comecei a ter problemas de insônia. Chorava enquanto ia para o trabalho e uma vez tive uma crise dentro da agência, onde chorei por duas horas. Ela foi denunciada por assédio moral e venda casada, em resposta a superintendência do banco a promoveu para gerente geral. Foi quando vi que havia uma defesa institucional das práticas irregulares e que eu precisava sair. Depois dos embates que tive em defesa do que era certo e dos clientes, ela começou a me perseguir. Além de terem me dado uma avaliação terrivelmente negativa no semestre seguinte, tentou me atribuir um erro que não era meu para me dar um processo administrativo, felizmente eu consegui embasar minha defesa através dos fatos. Se eu não tivesse estabilidade, certamente teria sido demitida, por fazer o que era certo. Por não aceitar práticas imorais, que embutiam vendas sem consentimento ou obrigavam o cliente a aceitar um produto em troca de algum serviço. A política lá é que só era promovido quem aceitasse fazer o jogo sujo. Por isso tantos clientes são enganados. Meritocracia lá significava não ter ética, caráter e enganar pessoas. Estabilidade no serviço público serve para isso. Serve para que bons funcionários não sejam coagidos por arbitrariedades. Serve para proteger a população. Serve para reduzir a interferência política. Serve para reduzir a corrupção. Sem a estabilidade, a corrupção irá aumentar. Sem estabilidade, são os bons que serão perseguidos. Outra hora explico melhor os mecanismos que favorecem a corrupção no serviço público e propostas para melhoria no atendimento, na qualificação dos servidores. Por isso, a reforma administrativa como está sendo prevista é terrivelmente danosa ao serviço público brasileiro. Diga não à reforma administrativa. Diga não ao aumento da corrupção (sim, isso ainda pode piorar, acredite). #Nãoareformaadministrativa
Não existe o bem e o mal na política. Existem apenas grupos em busca dos seus próprios interesses, que muitas vezes são antagônicos. Com o maior acesso à informação, pela consolidação da TV e depois pelo crescimento da internet e redes sociais, algumas pessoas que antes não cogitavam incluir política em suas rodas de conversa passaram a debater o tema. Se isso é bom por um lado, por outro gerou uma “politização” embasada em conhecimento nenhum de história e política e facilmente suscetível às “fake news” e manipulação. Cumpre destacar que boa parte dos meios de comunicação em massa do Brasil pertence a grandes grupos econômicos de "dinastias políticas". Há, portanto, uma nova geração de “politizados” que ainda não sabe a diferença entre eleição majoritária e proporcional e que acredita que todas as mazelas do país começaram nos governos do PT (pois foi quando começaram a acompanhar os noticiários de fato e estes passaram a falar em corrupção de maneira exaustiva). Pesso...
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